O secador de cabelos – Claudionor de Andrade

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Ao chegar a Maracaibo, em 24 de agosto de 1499, Américo Vespúcio deparou-se com um cenário que o fez recordar a pátria querida. Margeando o já famoso lago venezuelano, o explorador italiano observou que os nativos, indiferentes à presença da civilização, viviam serena e placidamente em graciosas palafitas. E, ali, entretidos com o ciciar do vento, iam tirando o sustento da água, que os embalava, e da mata ainda virgem, que os cercava.
Diante daquele quadro, Vespúcio, a serviço do rei da Espanha, lembrou-se da Itália, onde os venezianos, ao domar o Adriático, subsistiam entre canais e dutos, escoando todas as contrariedades numa singular atração turística.

Infelizmente, as parecenças entre a Venezuela e a Itália acabam-se nas areias do Maracaibo. Se a primeira ainda não se livrou de líderes populistas, ora à esquerda, ora à direita de suas reais necessidades e carências, a segunda aprendeu a não confiar em ditadores e guias tidos como infalíveis. Desde a morte de Mussolini, em 28 de abril de 1945, os italianos decidiram seguir sua vocação histórica: forjar civilizações. Aliás, não se poderia esperar outra coisa da pátria de Dante Alighieri.

Quanto à Venezuela, a história é cíclica e angustiante. Desde o libertador Simon Bolívar, opressores ascendem e caem num triste espetáculo de instabilidades políticas e incertezas econômicas. Como esquecer Cipriano Castro, Juan Vicente Gómez e Pérez Jiménez? Em 1998, aparece o messiânico e fanfarrão Hugo Chávez. Eleito pela via democrática, não demorou a transitar por uma senda esquerdista e caudilhesca, que, tendo início no famigerado Foro de São Paulo, levaria a nação venezuelana a um beco escuro, insalubre e sem saída.

No intuito de reescrever a história de seu país, Chávez ressuscitou Simom Bolívar (1783-1830). E, assim como a Teologia da Libertação marxizou o Cristo, o verboso ditador comunizou o libertador da América Hispânica. Só não lhe pôs na mão a foi e o martelo. Mas ali, num cantinho qualquer daquele pano de fundo corrompido e desbotado, dá para ver o livro de Karl Marx.

Depois de algumas extravagâncias constitucionais, Hugo Cháves morre de câncer, mas deixa como herdeiro seu discípulo mais fiel. O senhor Nicolás Maduro, sempre verde na política e sem qualquer madureza na condução da coisa pública, aprofundou uma crise que já era abissal. O adjetivo não é impropriedade; é a única forma de se descrever o atual momento do querido e belo país irmão.

Não bastasse o desabastecimento de gêneros de primeira necessidade, a Venezuela enfrenta uma crise hídrica que a leva a racionamentos diários. E, para resolver o problema de energia, o presidente Maduro, sempre empunhando o livrinho redigido por Cháves, sugeriu às mulheres a não mais usar o secador de cabelos. Dessa forma, pensa ele, a crise será, apesar dos cabelos desgrenhados, menos severa.

O que se vê, hoje, na Venezuela? Mais uma derrocada clássica do comunismo. Tanto lá, quanto na Coreia do Norte, ou em Cuba, os princípios ateístas e anticristãos de Karl Marx mostram-se ineficazes e desastrosos. E, para reverter o quadro, os ditadores fazem os apelos mais esdrúxulos. Este culpa o secador de cabelos, aquele aponta como réu o pente exportado dos Estados Unidos, e aqueloutro o xampu vindo da França. Visto desse prisma, a crise venezuelana parece mais capilar do que política, mais estética do que econômica. De qualquer forma, a situação no país vizinho é de arrepiar os cabelos.

Que Deus nos guarde do comunismo. Que jamais venhamos a cair nas mãos dos que, dizendo-se democratas, têm como leitura de cabeceira os devaneios de Lênin, as mentiras de Castro, o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung ou o livrinho de Cháves e Maduro: a constituição feita à imagem de ambos. Quanto ao Brasil, que o atual mandatário reintroduza, no Palácio do Planalto, o Livro dos livros. Sem a Bíblia Sagrada, não há prosperidade, nem paz, nem governança efetiva.

Oremos.

Ore.

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